sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

MINHA HISTÓRIA; UM MILAGRE.

A FIDELIDADE DO SENHOR
PARTE V

           Logo após nossa volta a minha filha mais velha contraiu uma coqueluche que se arrastou por três meses, a segunda filha contraiu uma infecção intestinal, talvez devido ao leite em pó mal batido durante a viagem e logo em seguida desenvolveu bronquite asmática o que nos entristecia e preocupava.
Nesta época eu havia saído da empresa de pneus e tentava pela primeira vez inaugurar um negócio próprio; um aviário, não deu certo, durante este período um dos meus irmãos veio morar conosco, agora éramos duas crianças e três adultos dentro de uma casa pequena - quarto, sala, cozinha e banheiro - que não estava preparada para isto, neste período a minha esposa engravidou pela terceira vez, foi um período difícil pois não tínhamos dinheiro pra nada, nem mesmo pré-natal ela pôde fazer, o aviário ia de mal a pior, fui obrigado pela situação a pedir ao meu irmão para morar em outro lugar, ele foi então morar na casa de uma prima nossa, até que decidiu voltar para Campina Grande. Onde mora até hoje. Lá ele casou, tornou-se pai de uma linda menina, mas infelizmente seu casamento não deu certo ele acabou por separar-se de sua esposa. Que pena! 
                Um belo dia dois colegas que trabalhavam comigo na empresa de pneus apareceram em casa, dizendo que talvez eu pudesse voltar para a empresa, assim como quem não quer, mas querendo, apareci lá. E conversando com o meu ex-patrão, acertei minha volta, e assim foi. Daí em diante tudo começou a mudar pra melhor, fizemos logo uma ultrassonografia e descobrimos que ao contrário do que todos diziam, seríamos pais de outra menina,  o engraçado é que estávamos comprando tudo - algumas poucas coisas - como se fosse para menino, mas ao realizarmos o exame e com o resultado em mãos saímos da clínica e na mesma hora compramos tudo - algumas poucas coisas - para menina, assim, no dia onze de novembro de dois mil e um, nasceu a caçula, encerrando assim com chave de ouro o nosso desejo de mais filhos. Ela nasceu linda, uma soma da beleza da filha mais velha com a filha do meio, ela era comprida, foi de fato um gran-finale.
                Três filhas lindas, uma mulher maravilhosa e virtuosa, Deus faz com que o solitário viva em família.
Uma  linda família. 

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              Depois disso saí outra vez da empresa de pneus, ressalto aqui que eu não era uma má pessoa, mas, influenciado por maus conselhos agi de modo desonroso para com meus patrões, lesando-os sempre que possível, acreditando estar me dando bem, decidi sair antes de qualquer coisa dar errada, ou ter descobertas minhas fraudes.
  Deus sempre me paquerou, nesta empresa ganhei e li todo o livro "O MAIS IMPORTANTE É O AMOR", isto um pouco antes de me decidir por sair, passei então por outro período de desemprego, cinco meses exatamente, estes meses foram dificílimos, eu até conseguia um emprego aqui, outro ali, mas nada me satisfazia, então consegui numa recauchutadora de pneus, eu fazia uma rota de trabalho que era fraquíssima, ao fim da rota totalmente desanimado e desmotivado, ia com o caminhão para a beira da praia do Grumarí, e lá ficava pensando na vida e nas dificuldades e também numa provável solução.
  Ao recolher o caminhão para a garagem, por varias vezes eu vinha pela Estrada dos Bandeirantes em Jacarepaguá, contando os postes procurando um onde pudesse jogar o caminhão, de maneira a provocar minha morte. é isto mesmo, eu era levado a pensar em suicídio, pois eu achava que com o dinheiro do seguro de vida que tinha, a minha esposa poderia resolver todos os problemas da família, o amor de Deus por mim não me desamparou, e isto saiu da minha cabeça. Saí da recauchutadora.
                Noutro momento, lendo o jornal encontrei um anuncio que mandava ler o Salmo vinte sete, três vezes por dia, durante três dias, e depois mandar publicar por três dias seguidos no jornal em agradecimento, assim fiz e logo encontrei outro anuncio para emprego, fui trabalhar numa empresa de entregas de refrigerante, lá eu entrava no serviço as seis da manhã e não tinha horas pra sair, um belo dia eu já não mais aguentando o peso da responsabilidade afinal eu tinha uma família sustentar, resolvi falar ou desabafar pra Deus os meus desejos e lembro que caminhando pela rua indo para o trabalho falei exatamente assim: “Meu Deus, eu só queria ter minha dignidade de volta e poder dar para minha família tudo o que sempre dei; escola e médico particular e também alimentação” eu lembro exatamente o que falei, o local em que me encontrava durante esta conversa, até hoje, sempre que passo em frente aquela casa é fácil lembrar.
                A minha esposa neste período foi com sua mãe até o colégio onde as duas meninas mais velhas estudavam, faltavam apenas três meses para o final do ano letivo, para pedir como bolsa de estudos este restante de ano, a fim de que elas não perdessem o ano letivo, o diretor negou-nos o pedido, e ainda as humilhou com suas palavras, lembro da imagem da minha esposa chegando em casa chorando e muito abalada.
     Quinze dias depois daquele meu desabafo, numa segunda-feira chegou um telegrama em casa, com um numero de telefone para eu ligar, na terça-feira nem fui trabalhar, logo cedo liguei para saber do que se tratava e  a moça que me atendeu me disse que era a respeito de emprego para início imediato, e se eu estava interessado? é claro que estou interessado, disse. Ela me passou o endereço - Rua Maturá, quatrocentos e onze em Acari -  e o horário em que deveria comparecer, treze horas, lá chegando fiz o teste psicotécnico, o teórico, lembro que era uma só vaga apenas e havíamos dois candidatos, na hora de fazer o teste prático fui encaminhado ao setor de transportes, lá designaram um rapaz que não era o responsável direto, para fazer o teste conosco, o interessante é que este rapaz me conhecia da época que trabalhava na empresa de pneus, ele me aprovou no teste, fui então encaminhado ao RH para acertos finais da contratação, lá descobri o que acontecera, depois da entrevista pedi licença para uma pergunta, então perguntei como eles haviam me localizado já que eu não havia posto nenhum currículo, nem mesmo conhecia ninguém da empresa, era a Yolat, que depois virou Parmalat do Brasil, a entrevistadora me respondeu que localizaram meu currículo na fabrica da Coca-cola que ficava em Nova Iguaçu, o único lugar onde havia colocado meu currículo, no mesmo instante da resposta daquela moça, eu ouvi no meu coração de uma forma muito real, uma voz que dizia: “estou te dando o que você me pediu”, entendi e lembrei daquele meu clamor, “Meu Deus, eu só queria ter minha dignidade de volta e poder dar para minha família tudo o que sempre dei; escola e médico particular e também alimentação”. Deus seja Louvado!
                Voltei pra casa naquele dia depois daquela entrevista, com o coração vibrando de alegria, contei para minha esposa entre lagrimas tudo que havia acontecido, comecei a trabalhar na Parmalat em agosto de mil novecentos e noventa e cinco, eu trabalhei por três anos e sete meses na Parmalat, lá eu pude continuar levando minhas filhas ao médico particular que sempre levei devido ao plano de saúde, e elas ainda continuaram estudando no mesmo colégio onde o diretor havia negado a bolsa, e agora com bolsa de estudos integral do governo, nesta ocasião tomamos conhecimento da atenção de Deus para conosco, Deus restituiu minha dignidade. 
                Decidimos  então procurar uma igreja onde nos aproximaríamos de Deus; assistíamos a todos os programas de igrejas na televisão, mas nenhuma nos chamava atenção a ponto de irmos até elas.
                   Um dia estava dormindo e a minha esposa me acordou entusiasmada me dizendo que uma amiga de adolescência, que não via a muito tempo havia passado em frente de casa e haviam conversado, ela se convertera ao evangelho, e nos convidou para visitar a igreja que frequentava - Igreja Batista Monte Sião - que fica próxima a nossa casa. Nós então marcamos nossa ida a igreja para o dia três de dezembro de mil novecentos e noventa e cinco, já que era o próximo dia de minha folga, neste emprego eu trabalhava à noite e folgava à cada quinto domingo.
                  No dia combinado a amiga da minha esposa foi nos buscar em casa, e nós fomos meio que escondidos da família, já que morávamos no mesmo quintal, chegando lá fomos muito bem recebidos, havia algo muito gostoso naquele lugar e naquelas pessoas, no momento em que o Pastor fez o apelo após a pregação, eu mais que ligeiro levantei a minha mão dizendo sim para o convite de aceitar Jesus como meu Senhor e Salvador, a minha esposa me acompanhou, a minha filha mais velha também, e assim a partir daquele dia não mais deixamos de estar na igreja, no dia nove de junho de mil novecentos e noventa e seis, nos batizamos e nos tornamos membros efetivos desta igreja, ali temos participado de vários trabalhos pelos mais variados ministérios e departamentos.